Cidade da Praia, 07 Mar (Inforpress) – A Direcção-Geral da Agricultura, Silvicultura e Pecuária (DGASP) considera imperioso que o país tenha uma legislação sobre uso de pesticidas que cubra não só a área agrícola, mas também a parte veterinária e da saúde pública.

A ideia foi defendida hoje pelo técnico da DGASP, Celestino Tavares, durante a apresentação do tema “Experiência dos países sobre a gestão de pesticidas” neste segundo de cinco dias do ateliê de “consulta sub-regional dos países africanos lusófonos sobre implementação da Convenção de Roterdão” que decorre na Cidade da Praia.

De acordo com o técnico, neste momento Cabo Verde tem uma legislação sobre o uso de pesticidas que cobre somente a área agrícola, motivo que o leva a afirmar que “é urgente e imperioso que o país tenha uma legislação que cubra, também, a parte veterinária e a parte da saúde pública”.

Segundo ele, no inquérito elaborado pela DGASP, descobriu-se que os agricultores nacionais compram pesticidas nas “lojas chinesas” para o uso doméstico e depois acabam por utilizar os mesmos na cultura de alface ou de tomate, por exemplo, defendendo que é preciso “diminuir o uso de pesticidas”, nomeadamente através da agricultura orgânica.

Conforme o técnico, o novo programa do Governo apresenta a agricultura orgânica como eixos prioritários, mas para tal é necessário ter um quadro legal, algo que resultaria em mias agricultores a produzirem cultura orgânica e numa diminuição da utilização de pesticidas na agricultura em Cabo Verde.

Por outro lado, Celestino Tavares frisou que é necessário combater a importação, comercialização e utilização “fraudulentas” de pesticidas, sendo que para isso, será preciso “reforçar” a inspeção e capacitar os inspectores, mas também mobilizar recursos para que o país tenha capacidade nacional de produção de agentes de luta biológica (pesticidas contra gafanhotos).

Um outro desafio do arquipélago, no entender do mesmo, é “minimizar” os riscos de utilização de pesticidas traves da capacitação dos aplicadores e reforço da sensibilização dos agricultores no sentido de utilização de equipamentos de proteção individual, mas lembrou que Cabo Verde fez uma opção clara, logo após a independência, para utilizar, ao mínimo, pesticidas químicos.

Em relação ao impacto do uso de pesticidas na saúde pública, Celestino Tavares admitiu que o país não tem dados, assim como não há estudos sobre impactos do seu uso no meio ambiente.

O ateliê de cinco dias que reúne Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, mas também convidados do Brasil e do Mali, tem como principal objectivo a partilha de informações sobre o sistema de gestão de pesticida a nível dos países de expressão portuguesa.

A finalidade desta partilha é de aprimorar essa gestão, contribuindo, assim, para uma agricultura menos dependente de utilização de pesticidas químicos, preservando a saúde humana e o ambiente.

DR/FP

Inforpress/Fim

estatuto

Assinaturas Inforpress

paywall4

01Notícias Relevantes Fique sempre informado sobre os principais acontecimentos de Cabo Verde e do Mundo.

02Informação de Qualidade Produzimos informação com independência, rigor e qualidade.

03Diversidade de Cobertura Pomos à disposição do público informação actualizada sobre os mais variados aspectos.