Cidade da Praia, 17 Mar (Inforpress) - O Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) pretende recuperar o máximo possível dos 920 mil contos aplicados no Novo Banco e promete avaliar melhor os seus investimentos, afirmou hoje o porta-voz do Conselho Directivo, Eugénio Inocêncio.

Em declarações à imprensa no final da reunião do Conselho Directivo do INPS, na Cidade da Praia, o porta-voz admitiu que o instituto vai “perder dinheiro” com as aplicações feitas no Novo Banco, mas quis deixar “uma mensagem de confiança”, porque acredita que “não vai beliscar em nada” a situação do INPS e as suas obrigações.

Segundo o porta-voz, as aplicações que o INPS faz “são seguras” e mais de 90% das mesmas “não são feitas em empresas como o Novo Banco”, mas sim em obrigações e depósitos, justificando que o sistema bancário nacional “é sólido” e que o Novo Banco foi “uma excepção dentro desse panorama”.

“Vamos adoptar todos os procedimentos para recuperar o máximo possível dos 920 mil contos aplicados, porque além do capital social, tínhamos também um empréstimo subordinado ao Novo Banco que, colateralmente, em 2013, quando se fez esse empréstimo, assinou-se um acordo com o Ministério das Finanças, dando uma garantia colateral a esse empréstimo”, esclareceu.

Neste sentido, Eugénio Inocêncio indicou que o capital foi de 220 mil contos, o empréstimo subordinado de 100 mil contos feitos em 2013, e os depósitos a ordem e prazo de 600 mil contos, mas acreditamos que vão ser capazes recuperar “uma boa parte desse montante”.

“O capital, infelizmente, o INPS perde. Em relação ao resto, vamos à luta, porque o nosso objectivo é não perder mais nada, sendo que o que vamos recuperar vai depender das negociações que teremos que fazer com outros intervenientes no processo, mas estamos confiantes que vamos recuperar os 100 mil contos”, realçou.

Em relação a outras aplicações que o INPS tem, o Conselho Directivo decidiu hoje em contratar uma empresa que faça uma análise de riscos, como forma de “reforçar a confiança”, defendendo que a carteira do INPS é “sólida”, entretanto, está ciente de que em todas as aplicações há riscos.

“Por isso que queremos fazer, de novo, essa análise de riscos, apesar da análise feita pelo INPS ser sempre boa, há sempre uma percentagem que foge ao controle e relativamente ao qual pode-se ter um deslize”, notou, acrescentando que a instituição tem um documento em preparação há vários meses sobre as linhas orientadoras nos procedimentos internos para qualquer investimento a ser feito pelo INPS.

Outra decisão saída da reunião foi a de promover um “grande fórum” para discutir “os caminhos da economia cabo-verdiana” para, em função disso, o INPS conhecer as áreas que deve investir e canalizar as suas aplicações neste processo de desenvolvimento, de forma segura.

A medida de resolução decretada pelo Banco de Cabo Verde (BCV) ao Novo Banco consiste na alienação parcial das suas actividades e da maior parte dos seus activos e passivos à Caixa Económica de Cabo Verde (CECV).

Na sequência, ministro das Finanças, Olavo Correia, garantiu que os culpados pela “deterioração” da situação financeira do Novo Banco, que pode custar ao Estado 1.800.000 contos e mais de 60 postos de trabalho, serão responsabilizados.

Os accionistas do Novo Banco e que têm de suportar essa perda são, o Estado de Cabo Verde que tem uma participação de 42,33%, o INPS (28,28%), a CECV (11,76%), os Correios de Cabo Verde (7,35%), a IFH (7,35%) e o Banco Português de Gestão (2,94%).

DR

Inforpress/Fim

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