Cidade da Praia, 20 Mar (Inforpress) – O governador do Banco de Cabo Verde (BCV), João Serra, disse hoje que apenas a recapitalização era insuficiente para salvar o Novo Banco, em processo de extinção na sequência de uma resolução.

Em declarações à imprensa no final de uma audiência com o Presidente da República, João Serra adiantou que concomitante com a recapitalização era necessária uma alteração do modelo de negócio, uma vez que o modelo então adoptado pelo Novo Banco não dava garantias quanto à sua sustentabilidade, ou viabilidade financeira.

João Serra recusa a crítica segundo a qual o BCV agiu tardiamente em relação ao Novo Banco e garantiu que na qualidade de entidade fiscalizadora, o BCV agiu no momento certo, tendo conseguido o seu objectivo que era salvaguardar todos os depósitos.

Na sua perspectiva são os accionistas é que deviam saber o que fazer com o seu banco, já que o mesmo não cumpria com os requisitos estabelecidos legalmente pelo BCV em termos de rácios prudenciais e de forma particular o rácio da solvabilidade.

“O rácio da solvabilidade é o rácio prudencial mais importante na perspectiva de um banco central.  Os fundos próprios também não eram cumpridos. Havia uma acumulação significativa de resultados negativos e o banco estava numa situação financeira deveras crítica”, justificou.

“Querendo, os accionistas podiam tomar uma outra decisão recapitalizando o banco. Mas nós a nível do BCV só a recapitalização não seria o suficiente”, sustentou.

João Serra, reiterou, que o que levou o BCV a tomar a decisão de resolução tem a ver com a situação financeira crítica por que passava o Novo Banco.

“O BCV tem essa responsabilidade de garantir a estabilidade do sistema financeiro e essa estabilidade só é garantida quando os bancos e outras instituições financeiras funcionem normalmente, cumprindo com o rácio, e não foi o caso do Novo Banco. Não cumpria com os rácios e procurou-se uma solução a contento de todos”, disse.

João Serra adiantou que o Novo Banco tinha cerca de 22 mil depositantes activos que movimentava regulamente as suas contas, cerca de 2,6 milhões de contos de depósitos, mais de 60 trabalhadores, pelo que admitiu que não foi fácil tomar uma medida de intervenção extinguindo um banco.

Por outro lado, esclareceu que o objecto social do Novo Banco não determinava que os créditos seriam necessariamente concedidos a micro e pequenos operadores, adiantando que essa instituição financeira de capital maioritariamente público, tinha autorização para funcionar como qualquer outro banco.

“Para o BCV, o facto de a taxa de crédito para o micro-crédito ser apenas de 5% é uma questão que se põe, uma vez que a autorização que foi dada na altura pela então ministra das Finanças, (já que na altura era competência do Governo), era para o Novo Banco actuar e funcionar como qualquer banco”, disse.

MJB/FP

Inforpress/Fim

estatuto

Assinaturas Inforpress

paywall4

01Notícias Relevantes Fique sempre informado sobre os principais acontecimentos de Cabo Verde e do Mundo.

02Informação de Qualidade Produzimos informação com independência, rigor e qualidade.

03Diversidade de Cobertura Pomos à disposição do público informação actualizada sobre os mais variados aspectos.