Cidade da Praia, 13 Mar (Inforpress) - O secretário geral do MpD (poder), Miguel Monteiro, disse hoje que o Novo Banco teve uma gestão “claramente política” em que muitos dos créditos foram concedidos a “camaradas e empresas camaradas”, referindo-se a pessoas próximas do anterior Governo.

O SG do Movimento para a Democracia (MpD) reagia assim às declarações do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição) feitas segunda-feira, sobre a extinção do Novo Banco, uma instituição que havia sido criada com o objectivo de apoiar micro, pequenas e médias empresas.

“O Novo Banco nunca cumpriu com o objectivo de apoiar as micro e pequenas empresas, facto demonstrado por apenas 5% dos créditos atribuídos serem a MPE”, precisou Miguel Monteiro, para quem o caso do Novo Banco é “mais um caso da tentativa de desresponsabilização do PAICV”.

Segundo ele, uma auditoria feita pela Ernst & Young, com referência ao período de 31 de Dezembro de 2015, identificou “diversas irregularidades”, nomeadamente a atribuição de créditos a colaboradores, que deixaram de ter vínculo com o banco, atribuição de diversos empréstimos aprovados, em que o analista de crédito recomendou a não atribuição, “sendo contrariado pela administração sem qualquer justificação”.

O SG do MpD afirmou ainda que a auditora internacional chamou a atenção pela “inexistência de procedimentos sólidos de identificação, mensuração e revisão do risco”, além de não existir um “sistema de informação de gestão destinado a gerar dados precisos e fiáveis sobre riscos, situação financeira e patrimonial do banco.

“Recordamos que todas estas situações aconteceram com comissões executivas escolhidas pelo Governo do PAICV”, precisou Monteiro.

À pergunta se não se pode executar as empresas financiadas pelo NB, respondeu que muitos dos créditos dados por aquela instituição financeira “nem garantias tinham subjacentes a esses empréstimos”.

 “Aqui está um exemplo da má gestão feita no novo banco”, indicou, acrescentando que o actual Governo está a fazer “aquilo que pode”, ou seja, respeitar os direitos dos trabalhadores e transferir os depósitos dos clientes para a Caixa Económica de Cabo Verde.

 Para Miguel Monteiro, o Estado, enquanto dono do Novo Banco, foi alertado pelo Banco Central (entidade reguladora) sobre a situação por que passava o NB, mas continuou “impávido e sereno” e a “injectar” dinheiro de todos os cabo-verdianos, mostrando-se que não estava a importar-se com a “gestão correcta, mas sim com os benefícios que eram dados a camaradas e empresas camaradas”.

Instado a dar alguns exemplos de “empresas camaradas”, o porta-voz do MpD respondeu: “Estou certo que alguns jornalistas conseguirão chegar a isso porque o nosso papel não é estar aqui a falar de nomes em concreto”.

Relativamente à última decisão de  recapitalização do NB, esclareceu que a medida foi adoptada dez dias antes da tomada de posse do Governo de Ulisses Correia e Silva saído das eleições de 16 de Março de 2016 e, que nessa altura, Nuías Silva, actual vice-presidente do PAICV, era administrador da Caixa Económica, José Maria Veiga, deputado do PAICV, dirigente do Instituto Nacional de Previdência Social (INPS) e Paulo Soares, actual membro da Direcção Nacional do PAICV, era presidente do conselho de administração da imobiliária IFH, sendo estas instituições accionistas do Novo Banco.

De acordo com Miguel Monteiro, o Banco Central havia ainda alertado para o “excessivo valor” pago ao nível dos conselhos de administração do BN.

“O primeiro presidente da comissão executiva do banco tinha um salário bruto de 1036 contos/mês, 100 contos/mês de comunicação, 100 litros de combustíveis por mês e viatura de serviço”, concluiu Miguel Monteiro.

 LC/CP

Inforpress/Fim

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