Cidade da Praia, 15 Mar (PAICV) – A secretária-geral da União Nacional dos Trabalhadores de Cabo Verde - Central Sindical (UNTC-CS) e a presidente do PAICV (oposição) mostraram-se hoje preocupadas com a situação laboral do país e pedem intervenção do Governo para mudar o cenário.

A preocupação foi manifestada no final de um encontro que Joaquina Almeida teve com a líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), Janira Hopffer Almada, na Cidade da Praia, para apresentar os novos corpos directivos da central sindical, eleita no final do ano passado.

“Enquanto representantes dos trabalhadores, trouxemos algumas preocupações, por exemplo, o congelamento dos salários desde 2011, a taxa do desemprego que não quer baixar e a onda do despedimento que tem vindo a acontecer um pouco por todo o lado”, indicou Joaquina Almeida.

Segundo ela, essa realidade “contraria o Programa do Governo liderado pelo Movimento para a Democracia (MpD), eleito nas legislativas de 20 de Março de 2016, “amplamente” defendida na campanha eleitoral, em como se ia criar pelo menos de 9.000 postos de trabalho, anualmente.

Em relação ao encerramento do Novo Banco e a “ameaça” de despedimento dos mais de 60 trabalhadores, a secretária-geral mostrou-se também, preocupada, garantindo que a UNTC-CS está a acompanhar a situação e que certamente e enquanto representante dos trabalhadores, tomará uma posição posteriormente.

Por sua vez, a líder do maior partido da oposição, considerou que neste momento, é “fundamental” que o Governo comece a cumprir o que prometeu aos cabo-verdianos, começando pela actualização anual dos salários, sendo que já foram apresentados dois Orçamentos do Estado sem nenhuma novidade sobre o assunto.

Entretanto, Janira Hopffer Almada frisou que há outras questões da agenda nacional, “igualmente importantes”, nomeadamente, acções para ultimar o acordo de concertação estratégica, como forma de se garantir um quadro que permita a estabilidade social, com a política de rendimento e preços e com os impostos devidamente pronunciada.

No entender de Janira Almada, o PAICV, enquanto partido com acento parlamentar, está interessado em representar o povo, neste caso, os trabalhadores, alertando para as questões que tenha de alertar e apresentar propostas lá onde se mostrar conveniente e necessária, sustentando que essas questões foram muito tratadas pelo MpD, enquanto oposição, mas que agora “não fala tanto…”.

“A situação laboral, naturalmente, não pode ser vista de forma positiva pelo PAICV, porque basta ver a onda de despedimentos que está a ocorrer e essa dura partidarização do aparelho do Estado, mas esperamos que o MpD tenha coerência no Parlamento e que aprove a diploma dos concursos públicos que o grupo parlamentar do PAICV já submeteu”, realçou.

Para a mesma, o Governo não está a despartidarizar, mas sim a partidarizar a máquina do Estado, colocando em lugares chaves, somente antigos dirigentes, militantes ou simpatizantes do MpD, e por outro lado, não fazendo concursos para os cargos de chefia, contrariamente àquilo que prometeu aos cabo-verdianos, reiterando que o facto de não ter nenhuma novidade acerca de um possível aumento do salário mínimo nacional e sobre o aumento salarial, deixa o PAICV preocupado.

“Permita-me comentar as afirmações do senhor ministro das Finanças ontem (terça-feira), regozijando-se com os dados das contas provisórias, com previsível económico, para refutar que ele passou toda a discussão do Orçamento do Estado de 2016 a dizer que o orçamento ainda era do PAICV, ou seja, se o orçamento ainda era da responsabilidade do PAICV, espero que tenha a coragem agora de atribuir esse crescimento de 2016 ao Governo do PAICV”, notou.

Entretanto, para Janira Hopffer Almada, mais do que ver quem é o autor, o importante é que esse crescimento tenha reflexo na vida dos cabo-verdianos, seja inclusivo e a riqueza gerada seja partilhada, enfatizou.

DR/FP

Inforpress/Fim

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