Cidade da Praia, 15 Mar (Inforpress)  - O ex-primeiro-ministro disse hoje que o Novo Banco foi criado por quem tinha legitimidade para o fazer, nos termos da lei e sob supervisão do BCV, admite erros, mas afirma que se fosse hoje “faria o mesmo”.

Na sua primeira reacção sobre a extinção do Novo Banco, José Maria Neves utilizou a rede social para manifestar o seu desagrado pela liquidação da instituição bancária pelo novo executivo,  e reafirma que “optaria”, pela recentragem do Banco, pela sua recapitalização, protegendo os postos de trabalho e garantindo oportunidades de financiamento para micro e pequenas empresas e para os excluídos do sistema.

Neves explicou que o Novo Banco foi criado aquando da elaboração do III Documento Estratégico de Crescimento e Redução da Pobreza, em que foram constatados “grandes constrangimentos” no financiamento das micro e pequenas empresas e a “exclusão de segmentos importantes” da população, sobretudo dos excluídos do sistema financeiro.

Na sua mensagem lê-se que o seu governo apostou em servir o bem comum, de forma a consolidar a sua política de coesão social com a criação de mais oportunidades de financiamento para micro e pequenas empresas e para os excluídos do sistema.

Paralelamente, os estudos, explicu, no âmbito da reestruturação dos Correios de Cabo Verde, apontavam para a necessidade e viabilidade de um Banco Postal, pelo que “analisadas as alternativas, o Governo optou pela criação do Novo Banco”, mobilizando os Correios de Cabo Verde, o INPS, a IFH e o Banco Português de Gestão”

“Optamos por mobilizar recursos internos para o financiamento da economia e da habitação, no âmbito do Programa Casa para Todos. Razões nobres, portanto”, enfatizou o antigo primeiro-ministro.

Afirmou que a presidência da gestão do Novo Banco foi assumida pelo Banco Português de Negócios, mas que o conselho de administração foi “profundamente alterado” e os custos de gestão “substancialmente reduzidos” quando foram detectadas “insuficiências e elevados custos” de gestão.

“Mais tarde, em 2015, face à persistência de insuficiências, o Banco Central impôs novas mudanças. Foi, então, nomeado um novo conselho de administração, aprovado um plano de negócios e decidida a recapitalização da empresa. Os accionistas, nos termos legais, aprovaram, em Abril de 2016, por unanimidade, a recapitalização”, acrescentou.

O antigo chefe do Governo (2001/2016) acusa o novo executivo de ter liquidado o Novo Banco por não ter dado seguimento das decisões anteriores, nem tomada de medidas alternativas porque propõe no seu Programa a criação de um banco idêntico.

Disse que  hoje, com a sua experiência e os dados disponíveis “criaria o Novo Banco, limando, as arestas e corrigindo alguns erros”.

“Tudo o que se fez, de essencial, de bom ou menos bom, as vitórias e os erros, a nível governativo, em Cabo Verde, desde 2001 até 2016, é responsabilidade política do Governo e sobretudo minha enquanto Chefe do Governo. São opções de governo adoptadas para servir o país e catalisar o seu desenvolvimento”, esclarece.

Nesta linha enumera obras como barragens, estradas, portos, aeroportos, escolas, hospitais, electrificação, pensões sociais, a Parceria Especial com a União Europeia, a inserção mais activa do país na CEDEAO, dois Compactos do “Millenium Challenge Account”, mais Estado de Direito Democrático, mais liberdade de espírito como “opções durante o tempo que estive na Primatura”.

José Maria Neves considerou que “não há políticas públicas perfeitas, mas se houver autoconfiança, sentido ético e vontade de trabalhar, com abertura de espírito e denodada entrega à causa pública, o país há-de continuar a crescer e a desenvolver-se com o contributo de todos”.

SR

Inforpress/Fim

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