Mindelo, 15 Set (Inforpress) – Quando, a 05 de Agosto, Albertino Graça surgiu de fato escuro perante os convidados, no Hotel Porto Grande, e disparou: “sou candidato a Presidente da República”, disse que o fazia por imperativo moral, de consciência e de cidadania.

Aos 56 anos, o reitor da Universidade do Mindelo, que completa 57 justamente no dia das eleições, a 02 de Outubro, dizia candidatar-se por ser Cabo Verde “uma questão que diz respeito a todos os cabo-verdianos” e que “ninguém se pode eximir desse dever de cidadania indeclinável”.

Com dois filhos e um neto, Albertino Emanuel Lopes da Graça nasceu no bairro da Ribeira Bote, no Mindelo, a 02 de Outubro de 1959, filho de um marítimo e de uma doméstica, numa família de 12 irmãos.

A primeira escola que frequentou foi a Escola Nova da Ribeira Bote, para onde entrou com 7 anos, e fez os seus estudos secundários no Liceu Ludgero Lima.

Entretanto, a adolescência e boa parte da juventude passou-as o candidato, como referiu, numa “participação activa” em acções de caracter social, desportivo e cultural, tendo sido membro fundador de várias agremiações e associações.

Destaca a equipa de futebol Sport Club Ribeira Bote, mas antes, como futebolista, envergara as cores do Futebol Clube Derby, de São Vicente, e, posteriormente, jogou também no FC Ultramarina do Tarrafal, de São Nicolau.

Enquanto homem do desporto foi ainda vice-presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, participou na internacionalização do futebol cabo-verdiano, tendo dirigido várias delegações e participações na Taça Amílcar Cabral, na CAF e em pré-eliminatórias para o mundial de 1994.

“Aluno brilhante” nos estudos secundários no Liceu Ludgero Lima, nas suas próprias palavras, Albertino Graça conseguiu uma bolsa de estudos para o curso de Licenciatura em Engenharia Mecânica na Universidade de Coimbra, Portugal, em que, diz, não foi o “melhor aluno, mas o mais eficiente”, tendo sido o primeiro a concluir a licenciatura, contribuindo assim para reforçar a “boa imagem” dos estudantes cabo-verdianos nesta conceituada universidade portuguesa.

Licenciatura concluída, Albertino Graça regressa a Cabo Verde, integra os quadros da Enapor (portos de Cabo Verde) e trabalha nas ilhas de São Vicente, São Nicolau e Santiago, para depois passar, como empreendedor, ao sector privado.

Neste ramo, criou várias empresas, mas a “menina dos olhos” de Albertino Graça é a Universidade do Mindelo, de que é reitor, e que, primeiro enquanto Instituto de Estudos Superiores Isidoro da Graça (IESIG), afirma ter instituído e conduzido ao sucesso com o apoio e comunhão de esforços de forças vivas da sociedade mindelense, que catalisou e liderou.

Ao contrário de muitos outros políticos, não foi na faculdade que Albertino Graça teve o primeiro contacto com a política. Tal viria a acontecer depois, em 1990, quando foi mandatário do ex-presidente da República Aristides Pereira.

E foi a partir da década de 1990 que passou a estar “próximo” do então presidente da Câmara Municipal de São Vicente, Onésimo Silveira, através da associação Espaço Democrático, de que foi membro fundador, e de uma outra organização política oriunda da sociedade civil, o “Modernizar São Vicente”, com a qual concorreu, em 2005, à Câmara de São Vicente, elegendo um deputado.

Orgulha-se de ter trabalhado directamente com “grandes políticos” cabo-verdianos, e cita Aristides Pereira, Onésimo Silveira, Pedro Pires, José Maria Neves e Isaura Gomes, entre outros.

Três candidatos concorrem às eleições presidenciais de 02 de Outubro: Albertino Graça, o presidente cessante, Jorge Carlos Fonseca, e o veterano da luta pela independência Joaquim Monteiro.

AA/CP

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