Cidade da Praia, 19 Mar (Inforpress) - A coordenadora do Sistema das Nações Unidas afirmou hoje que a associação Laço Branco é “motivo de orgulho” e uma certeza de que o Cabo Verde está a construir uma “sociedade livre de descriminação” baseada no género.

A constatação foi feita por Ulrika Richardson durante a sua intervenção na abertura da 2ª assembleia-geral da Rede de Homens pelo Fim da Violência Baseada no Género, Laço Branco de Cabo Verde (LBCV), que decorre hoje, na Cidade da Praia.

“O Laço Branco de Cabo Verde é para nós motivo de orgulho e uma certeza de que Cabo Verde está a caminhar para a construção de uma sociedade livre de descriminação baseada no género, sendo que a vossa nobre missão é fundamental para o desmantelamento do sexismo, da desigualdade de género da violência contra as mulheres e da homofobia”, reconheceu.

Para Ulrika Richardson, a equidade de género só será possível no mundo em que homens e mulheres possam viver em pleno os seus direitos humanos, e é nessa linha que as Nações Unidas defendem que trabalhar com homens e meninos e organizações como Laço Branco tem um “valor transformador” no processo de mudança para a efectiva igualdade.

Adiantou que, a nível global, as Nações Unidas têm intensificado esforços e estratégias para a mobilização de novas alianças para promoção de igualdade de género com especial enfoque na mobilização de homens e meninos, sendo que além de serem aliados no combate a violência baseada no género, são também beneficiados das acções que promovem a masculinidade saudáveis, relação de género equilibradas como é o caso das campanhas globais como “Eles para elas” e  “Livre iguais” que decorreram em Cabo Verde.

A coordenadora reconheceu que o sistema patriarcal mudou ao longo dos séculos de papéis sociais que ditam normas sobre o que é ser homem, e ser mulher nas sociedades criando fenómenos sociais que infligem as mulheres situações inaceitáveis tais como a violência sexual, tráfico de mulheres e meninas mutilação genital feminina ou ainda a feminização da pobreza.

“Por outro lado, as normas de género prejudicam os meninos e homens ao exigir o exercício de masculinidade exacerbada impedindo-os de viver as suas emissões, de cuidarem de si, e desempenharem o seu papel de pai sendo que são empurrados sistematicamente para o mercado de trabalho infantil para a agressão, para perigo e a violência urbana e doméstica”, sublinhou.

Segundo Ulrika Richardson, o sexismo, a desigualdade de género, a violência contra as mulheres e a homofobia estão ligados à maneira como os meninos são socializados, como são apreendidos os comportamentos e valores desde a infância para aceitar lições estritas da masculinidade.

Mas, sublinhou que quando os homens e meninos saem do comportamento tradicional masculino esperado, eles enfrentam violência verbal ou acções homofóbicas, já que no seu entender o mais importante é desafiar os comentários homofóbicos e intimidação entre os rapazes e defender que homens e meninos expressem livremente de formas alternativas, positivas e saudáveis de masculinidade.

 No seu ponto de vista, a sociedade promotora de género precisa de homens para que o empoderamento das mulheres e meninas continue a avançar, e homens e meninos precisam tornar-se aliados no processo, conscientizando-se de que também são beneficiados quando normas prejudiciais de género são questionadas.

Sendo hoje Dia do Pai, disse que é uma data que se deve celebrar, pois ser pai ou não é uma escolha e faceta do ser homem, mais também reflectir as leis do país respeitam os homens que trabalham num ambiente favorecedor para a conciliação da vida familiar e laboral, especialmente na licença de paternidade.

AV/AA

Inforpress/Fim

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